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Frase de Friedrich Nietzsche sobre Vontade de potência

Saber é compreendermos as coisas que mais nos convém.
Friedrich Nietzsche em Nietzsche's Werke: Unveröffentlichtes aus der Zeit der Fröhlichen Wissenschaft und des Zarathustra. (1881-1886.) 2., völlig neu gestaltete Ausg. - Página 241, Friedrich Wilhelm Nietzsche · C.G. Naumann, 1901
✓ Citação verificada(fonte)
Vontade de potênciaPerspectivismoSaúde Filosófica

Contexto

Esta citação aparece em uma passagem do pensamento de Nietzsche sobre o caráter pragmático e perspectivista do conhecimento. Em 'A Gaia Ciência' e em outras obras, Nietzsche critica a noção de verdade absoluta e universal, propondo que o saber é sempre uma interpretação orientada por interesses vitais e necessidades práticas. O filósofo alemão desenvolve essa ideia em um contexto de crítica ao racionalismo clássico e ao dogmatismo cristão, afirmando que a vida e os instintos são a medida do conhecimento. A frase, em sua forma portuguesa, sugere uma compreensão estratégica: conhecemos melhor aquilo que nos é útil para a conservação e o florescimento da vida. Nietzsche, que tomou contato com a filosofia de Schopenhauer e com o pensamento de Darwin de maneira crítica, busca superar a dicotomia entre razão e emoção, integrando-as na dinâmica do querer viver. Essa abordagem também é uma resposta ao pessimismo nihilista da época, oferecendo uma via afirmativa que aceita a contingência e o devir sem buscar fundamentos absolutos.

Interpretação

Nietzsche não defende um saber meramente egoísta ou utilitário no sentido mesquinho, mas sim um conhecimento comprometido com a saúde vital do indivíduo e com a expansão da sua potência. Compreender as coisas que mais nos convém significa discernir entre saberes que nos fortalecem, nos fazem crescer e superar limites (pathos da distância), e aqueles que nos debilitam, geram ressentimento ou nos aprisionam em crenças desvitalizantes. Aqui, o 'convém' não se limita à biologia; é um saber que contempla a estética da existência, a construção de uma ética autônoma e a afirmação dos próprios valores para além do rebanho. Além disso, Nietzsche conecta o saber à dinâmica dos instintos: aquilo que impulsiona nossa autoconservação e nosso autotranscendimento é o que chamamos de verdade, ou seja, perspectiva útil adotada como realidade útil. Essa leitura implica que a busca da verdade não tem valor absoluto; o critério é sua utilidade vital, resultando em um conhecimento sempre provisório e afetivo.

Aplicação Prática

Ao escolher entre múltiplas fontes de informação e cursos de conhecimento, pergunte-se: qual dessas aprendizagens amplia-minha capacidade de agir, melhorar minha saúde mental e dominar as habilidades que almejados? Use isso como critério seletivo, deixando de lado conhecimentos fragmentados ou consumistas que apenas geram ansiedade. No trabalho ou desenvolvimento de carreira, eleja conscientemente as informações e formações que fortalecem suas competências essenciais, evitando reflexos automáticos que atendem a interesses reputacionais de terceiros. Crie um projeto de aperçoamento pessoal baseado no que expande seu sentido de potência e realização. Na vida afetiva e nas amizades, reflita quais gêneros de conversas, cerimónias ou pensamentos quotidianos nutrem a sua lucidez e autoconfiança preferencialmente àquilo que alimenta dúvidas ou dependência. Incorpore hábitos de leitura e atenção em que predomine o engajamento complexo com temas que valorizam a vida do jeito que deseja cultivá-la.

Bibliografia & Referências

A fonte original é 'Thus Spoke Zarathustra' (em muitas edições: 'A Gaia Ciência'), na passagem 'Virtude conhece aquilo que conduz à sua própria exaltação', comum em coletâneas lusófonas. Leitura relacionada: 'Vontade de Potência' (1869-1889) de Friedrich Nietzsche, organizado e lançado postumamente pela irmã do autor.