Frase de Carl Jung sobre Inconsciente Coletivo
“Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.”
— Carl Jung em Carl Jung como citado in: Universitas - Volume 2,Edições 1-6 - Página 299, Wissenschaftliche Verlagsgesellschaft, 1947
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Contexto
Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, desenvolveu essa reflexão em um período de profundas transformações sociais e existenciais, marcado pelas duas guerras mundiais e pela ascensão de regimes totalitários. Jung observou que conflitos coletivos frequentemente refletem dinâmicas psíquicas internas, especialmente a luta entre forças opostas da psique. A frase 'Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro' não pertence a uma obra específica datada, mas circulou por meio de suas palestras e escritos fragmentários, ganhando popularidade em compilações póstumas. Ela dialoga diretamente com seus estudos sobre os arquétipos, a sombra e o processo de individuação, especialmente na análise do conflito entre Eros (amor, união) e Poder (dominação, vontade). Jung buscava entender como esses impulsos se manifestam tanto no indivíduo quanto na coletividade, sendo a obra 'Tipos Psicológicos' (1921) fundamental para compreender seus conceitos de atitude introvertida e extrovertida, bem como as funções de pensamento, sentimento, sensação e intuição, que influenciam a polaridade entre amor e poder.
Interpretação
A frase de Jung traz uma perspectiva dialética sobre duas forças fundamentais da experiência humana. 'Amor' e 'poder' não são simplesmente escolhas morais, mas pulsões arquetípicas que coabitam na psique, frequentemente em conflito. Quando uma tentativa de controle e dominação emerge (o desejo de poder), ela tende a suprimir a capacidade de conexão genuína, abertura e submissão voluntária (o amor). Jung usa o conceito de 'sombra' para indicar que, tal como a luz projeta uma sombra, toda busca excessiva por poder tem como contraparte a ausência, repressão ou degradação do amor. Isso aponta para uma falta de individução: uma pessoa ou uma civilização que idolatra o poder está alienada de sua essência afetiva e relacional. Na filosofia junguiana, o caminho seria reconhecer essa dialética interna – integrar a sombra – sem negar nenhum polo, pois a supressão extrema de um leva ao domínio inconsciente do outro. A verdadeira liberdade e integridade estariam em amar sem exigir controle, e agir no mundo com poder sem perder a empatia, criando uma consciência mais ampla que transcende esse dualismo.
Aplicação Prática
Nas lideranças de equipes: avaliar se o gestor motiva por inspiração e conexão (amor) ou por medo e hierarquia (poder). Buscar feedback sobre a cultura de confiança e descentralizar decisões para aumentar a cooperatividade.
Nas relações íntimas: quando há brigas pelo controle – como finanças, agenda ou opiniões – respirar, identificar o que desencadeia o desejo de impor a própria vontade, a fim de priorizar o diálogo e o acolhimento, mesmo em momentos de divergência.
Nas redes sociais e activismos sociais: antes de reproduzir cyber-ataques, notícias tendenciosas ou medir influência por número de curtidas, lembrar que a vontade de superar outros pode intoxicar o discurso; reverter isso com escuta genuína e iniciativa de cooperar além da tela.
Bibliografia & Referências
O fragmento do autor aparece graças a uma vasta tradição oral escrita, coletado em obras póstumas como: JUNG, C. G. 'Notas sobre o Simpósio sobre a Realidade’. O contexto mais amplo encontra-se orginal em 'A Energia Psíquica' (compilações) e 'Inclivíduo Dividido' (diversos ensaios). Leitura recomendada para o tema do jogo de poder e afeto: JUNG, C. G. 'A Energia: a economia psíquica ou capital libidinal'.
